Medo do parto
É comum sentir algum nervosismo e ansiedade antes do parto, isso faz parte do processo de preparação. No entanto, para algumas pessoas, o medo pode sair fora do controlo e afetar toda a gravidez, ou até mesmo o desejo de ter um filho.
O medo do parto pode assumir diferentes formas, desde uma preocupação ligeira até uma fobia paralisante. O parceiro também pode sentir-se ansioso ou assustado com o momento do nascimento. Este receio pode surgir muito antes da data do parto, talvez logo ao ver o teste de gravidez positivo, ou até mesmo antes de engravidar. Dependendo do grau de ansiedade, existem várias formas de aprender a lidar com o medo. O medo é uma emoção que pode ser gerida, por exemplo, através da compreensão da sua origem e da compreensão do que está a acontecer no corpo da grávida.
Qual é a causa principal do seu medo do parto?
O medo do parto pode ser causado por vários fatores, tais como:
- medo de hospitais
- medo de sangue ou injeções
- falta de apoio das pessoas à sua volta
- experiências passadas de ansiedade ou depressão
- medo de que algo corra mal durante o parto
- medo de perder o controlo, seja do seu corpo ou da situação
- maior sensibilidade à dor e/ou medo da dor
- traumas passados
- um parto difícil no passado
Às vezes, pode ser difícil identificar exatamente o motivo, mas se conseguir identificar a origem do seu medo, terá um ponto de partida melhor e algo concreto com que trabalhar.
O que acontece no seu corpo quando está com medo?
Quando exposto ao que o seu corpo percebe como perigo, o corpo começa a produzir a hormona do stress, a adrenalina. Esta reação é uma resposta primitiva e herdada que funcionava bem historicamente, pois ajudava as pessoas a lutar ou a fugir de ameaças de animais selvagens, por exemplo. No entanto, quando se trata do parto, a adrenalina pouca utilidade porque bloqueia a oxitocina, a hormona do bem-estar, que precisamos para: nos sentirmos seguras (ou para proporcionar segurança); ter um bom trabalho de parto; um parto mais fácil e uma recuperação mais rápida. Deste modo, ao aprender a lidar com o medo, você pode diminuir o aumento do stress. Além disso, o toque e a proximidade ajudam a libertar oxitocina, a hormona que queremos em abundância. Abraços e contacto físico não são apenas aconchegantes, também reduzem a pressão arterial e o pulso, diminuem o stress e fazem-nos sentir melhor em geral. A amamentação também libera oxitocina e ajuda a fortalecer o vínculo após o nascimento do bebê.
Como lidar com o medo do parto?
Se tem medo do parto, é importante trabalhar esse medo o mais rápido possível, porque um medo não processado não desaparece por si só e pode até intensificar-se. Se já sente este medo desde o início da gravidez, deve informar a sua médica ou a sua enfermeira de saúde materna na primeira consulta. Para o parceiro, também é essencial lidar com estes receios, porque pode ser difícil para alguém inseguro ou assustado oferecer um bom apoio durante o trabalho de parto. É igualmente importante lembrar que tem sempre direito aos seus sentimentos, e que tentar questioná-los ou minimizá-los não traz benefícios. Ouvir alguém dizer que não é perigoso ou que deve simplesmente parar de pensar nisso não ajuda, mesmo que a intenção seja positiva. Em vez disso, é necessário aceitar o medo para aprender a lidar com ele de forma adequada.
Dependendo da gravidade da situação, pode ser encaminhada, sozinha ou com o seu parceiro caso tenha um, para uma consulta especializada em saúde mental perinatal, onde é comum o acompanhamento do medo do parto. Nessas consultas, irão fornecer-lhe ferramentas para lidar com o medo, a ansiedade ou o stress associados aos pensamentos sobre o momento do parto. Se não morar perto deste tipo de serviços, ou se as consultas de terapia só estiverem disponíveis mais para o final da gravidez, pode também verificar se a sua unidade de saúde dispõe de um psicólogo ou se a podem encaminhar para um. Assim, poderá iniciar acompanhamento psicológico caso as suas preocupações se tornem difíceis de gerir. Também pode procurar terapia cognitivo-comportamental online, que pode realizar a partir de qualquer lugar e sem necessidade de aguardar por vagas presenciais.
Se teve uma experiência difícil num parto anterior, não é surpreendente que sinta medo agora, antes do próximo parto. Precisa de uma oportunidade para falar sobre o que aconteceu e ver o que pode ser feito de diferente para que isso não se repita, seja com a sua médica ou a sua enfermeira de saúde materna, ou através de terapia numa clínica especializada.
Dicas para aliviar ansiedade ligeira relacionada com o parto
Perceber exatamente o que a assusta pode ajudar a identificar um ponto de partida para trabalhar o medo. Tem receio de hospitais? Teme perder o controlo? A ideia da dor deixa-a em pânico?
- Um dos fatores mais importantes para reduzir o medo do parto é não tentar lidar com ele sozinha. A pessoa que estará consigo na maternidade e com quem tem uma relação de confiança é também quem melhor a poderá apoiar. Envolva essa pessoa em todo o processo.
- Mesmo que não esteja a fazer terapia, continua a ser importante receber apoio profissional da sua médica, do seu médico ou da sua enfermeira de saúde materna. A maioria destes profissionais tem experiência em lidar com o medo do parto. Mas, se sentir falta de apoio, pode sempre pedir para mudar de profissional.
- Escrever um plano de parto é sempre uma boa decisão e pode ser especialmente útil se estiver particularmente preocupada. Por exemplo, se tem medo de agulhas, inclua no seu plano o pedido para utilizarem um anestésico tópico antes de lhe administrarem alguma injeção, ou peça para evitar métodos de alívio da dor que envolvam agulhas. Se não souber por onde começar, pode usar como referência listas de verificação e modelos disponibilizados por hospitais ou profissionais de saúde.
- Se tem receio da dor, pode ser útil informar‑se sobre os diferentes tipos de alívio da dor disponíveis e sobre a dor do trabalho de parto em si, bem como sobre estratégias que pode aprender para melhor a gerir.
- Se o seu medo está relacionado com a ideia de ficar sozinha, ou com a possibilidade do seu parceiro ou a pessoa que a vai acompanhar ficar doente, então considere escolher uma segunda pessoa de confiança para servir de alternativa. Pode ser uma doula, um familiar ou um amigo próximo. Mesmo que a probabilidade de alguém ficar doente seja baixa, esta preparação pode ajudar a reduzir o stress.
- Prepare-se para o parto participando em sessões informativas que muitos hospitais oferecem. Existem também aulas e cursos específicos que ajudam a reduzir o medo e a promover uma experiência de parto mais positiva.
- Como se costuma dizer, “conhecimento é poder”, e isso aplica-se aqui também. Ao aprender mais sobre o que acontece durante o parto, as diferentes fases e o que está a acontecer no seu corpo, pode ganhar mais controlo sobre o seu medo.